As perspectivas quanto ao futuro do trabalho assalariado não são nem um pouco animadoras. Foi com a Modernidade que o trabalho assalariado, na forma como o conhecemos hoje, se consolidou. Especialmente após a Revolução Industrial, ele se difundiu até se tornar a forma mundialmente predominante de sustento das pessoas. Mas será que isso continuará assim? Até quando poderemos continuar contando com uma oferta de postos de trabalho assalariado compatível com a mão-de-obra disponível e necessitada? Sem alarmismo, acredito que já estejamos vivendo o ocaso dessa era. Tenho fortes razões para crer que essa forma de emprego que conhecemos hoje está com os dias contados. Talvez seja ainda uma longa contagem, mas já é uma contagem regressiva. Não estou, com isso, afirmando nenhuma grande novidade. De uma forma, ou de outra, diversos teóricos importantes vem tratando disso há muito tempo.

Marx, por exemplo, já falava no séc.XIX, de uma característica do capitalismo, segundo a qual, os investimentos em máquinas e equipamentos por parte do proprietário da empresa eram prioritários em relação ao investimento em mão-de-obra. Sendo assim haveria a tendência de automatização do trabalho e de fechamento de postos. Como se as máquinas absorvessem o grosso do trabalho, sobrando ao trabalhador vivo apenas algumas vagas na vigilância, alimentação ou operação das próprias máquinas. Como as máquinas, ou meios de produção, pertencem a proprietários privados, a tendência seria então a de concentração desses meios de produção nas mãos de seus proprietários. Foram constatações como essa que levaram Marx a prever e pregar uma desconcentração desses meios e a sua conseqüente socialização entre todos os trabalhadores.

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