raimundo-salles-Museu-Casa-Tolstóiraimundo-salles-sala-de-jantar-Museu-Casa-Tolstóiestudio-de-tolstoi 

Sente-se em todo canto dessa evocativa casa de madeira a presença de um dos maiores romancistas da Rússia. Foi aqui que Leon (Liev) Tolstói (1828-1910) passou os invernos de 1882 a 1901, com sua mulher enferma, Sofia Andreievna, e nove de seus treze filhos que sobreviveram. Tolstói passava os verões na propriedade dos antepassados em Yásnaya Polyana, a 200km dali. A casa de Moscou, convertida em museu em 1921 por ordem de Lênin, preserva em grande parte o aspecto que devia ter quando Tolstói e sua família residiram no local. No térreo, a mesa da sala de jantar está posta com as louças. O jantar da família Tolstói sempre começava às 18 horas em ponto, ao chamado do cuco pendurado na parede. A seguir vem a “sala do canto”, aonde às vezes os filhos mais velhos, Serguei, Iliá e Liev, se recolhiam para jogar bilhar chinês. A casa transmite uma sensação de vida familiar ordeira e confortável, mas Tolstói e sua mulher discutiam violentamente com frequência, sobretudo por causa do desejo dele de abandonar a sociedade e viver com a maior simplicidade possível. O casal se reconciliou por pouco tempo quando Vânia, o filho caçula, morreu de escarlatina antes de fazer 7 anos. Ele é lembrado em seu quarto pequeno, onde se veem seu cadeirão, seu cavalo de balanço e seus livros.

O quarto da segunda filha de Tolstói, Tatiana, é abarrotado de enfeites e recordações. Ela era uma artista talentosa, e suas pinturas e esboços estão pendurados nas paredes.

A escada para o primeiro andar dá em um salão amplo, onde os convidados eram recebidos para a ceia. Entre eles se encontravam o jovem Serguei Rakhmâninov, que na casa acompanhou ao piano o baixo Fiódor Shaliápin, o artista Iliá Répin, cujo retrato de Tatiana está na “sala do canto”, o crítico de música Vladimir Stassov e o escritor Maxim Górky, com quero Tostói jogava xadrez. O cômodo seguinte, a sala de estar, foi decorado pela própria Sofia Andreievna.

O quarto da filha predileta de Toistói, Maria, é bem simples, atestando a solidariedade dela pelos ideais e pelo estilo de vida do pai.

No fim do corredor no andar cima está o estúdio de Tolstoi, sala ampla com vista para o jardim. Refletindo seu gosto pela austeridade, a sala tem mobília simples de couro preto. A escrivaninha, sólida, despojada e iluminada por vela, foi onde ele escreveu o romance “Ressurreição”. Em vez de reconhecer sua miopia, Tolstói serrou os pés da cadeira para ficar mais próximo dos papéis. Ao lado, no lavabo, há halteres e uma bicicleta — indícios de seu interesse na forma física. Também estão expostas as ferramentas que ele usava para confeccionar sapatos, seu passatempo, e alguns pares que ele fez. A escada dos fundos leva ao jardim, acessível apenas a quem participa da visita guiada.

LEON TOLSTOI

Quando Tolstói estava na casa dos 50 anos, era um escritor de renome internacional e havia escrito suas duas obras-primas, Guerra e paz (1865-1869) e Anna Karenina (1873-1877). Ele continuou a escrever ficção, mas depois renunciou a seus livros anteriores e ao mundo retratado neles. Tolstói concentrou-se em seu ramo bastante individual do humanismo cristão, doutrina que abrangia a não violência, o vegetarianismo e a abstinência sexual. Nesse período ele escreveu as novelas A morte de Ivan Ilych e A sonata de Kreutzer e seu último grande romance, Ressurreição, que se desviou tanto da ortodoxia que o Sínodo Sagrado o excomungou em 1901. No mesmo ano, Tolstói trocou Moscou por Yásnaya Polyana, onde se dedicou ao ensino de camponeses em sua propriedade.

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